Hora da Conectividade promove diálogo sobre sustentabilidade no agronegócio brasileiro

Nesta semana, o evento online “Hora da Conectividade” da ConectarAGRO recebeu dois convidados especiais: Gleyson Santos e Rodrigo Simões, ambos membros destacados do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). O objetivo do encontro foi discutir as oportunidades e desafios relacionados às cadeias agroindustriais sustentáveis no Brasil.

Durante o bate-papo, representantes da ConectarAGRO e do Inatel debateram estratégias para impulsionar a resiliência ambiental no setor agrícola brasileiro por meio da conectividade. A discussão focou em como a tecnologia e a comunicação podem desempenhar papéis essenciais na promoção de práticas sustentáveis e na otimização das operações agrícolas.

Gleyson Santos, um dos palestrantes do evento, enfatizou a importância de parcerias e colaborações entre organizações do setor para enfrentar os desafios ambientais e socioeconômicos que afetam o agronegócio. Ele destacou a necessidade de soluções inovadoras e integradas que levem em consideração não apenas a produtividade, mas também a preservação dos recursos naturais e a qualidade de vida das comunidades rurais.

Por sua vez, Rodrigo Simões ressaltou o papel fundamental da conectividade no desenvolvimento de projetos que promovam a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro. Ele enfatizou a importância de infraestruturas de comunicação robustas e acessíveis, que possibilitem a implementação de soluções tecnológicas avançadas em todo o território nacional.

O evento foi uma oportunidade para os integrantes da ConectarAGRO e do Inatel trocarem experiências, compartilharem conhecimentos e estabelecerem parcerias estratégicas para impulsionar a inovação e a sustentabilidade no agronegócio brasileiro. A iniciativa reflete o compromisso contínuo das organizações em buscar soluções colaborativas e impactantes para os desafios do setor.

ConectarAGRO tem nova presidente e reforça presença feminina no setor

Dando continuidade ao trabalho iniciado pela Associação há cinco anos, Paola Campiello, Gerente de Novos Negócios com expertise em soluções de conectividade na CNH Industrial, assume a posição de presidente na ConectarAGRO. Ela assume o posto exercido desde 2022 por Ana Helena de Andrade, Diretora de Relações Governamentais da AGCO.

A nomeação marca não apenas uma transição de liderança, mas também um marco significativo: é a segunda liderança feminina consecutiva a assumir o cargo, solidificando ainda mais a presença feminina no setor.

“É um privilégio assumir este cargo em uma Associação que tem objetivos tão importantes para a inovação no agronegócio. Estou comprometida em fomentar e impulsionar ainda mais a conectividade em áreas rurais, em parceria com nossos Associados, governo e stakeholders”, comenta Paola.

À frente da presidência, Paola vai liderar ações e projetos que visam a promoção da conectividade em áreas rurais e remotas brasileiras, revolucionando a produção competitiva no campo e elevando a qualidade de vida de toda a população dessas regiões.

Ana Helena de Andrade, cujo nome se tornou uma referência no assunto conectividade agrícola, expressa confiança na sucessão: “Estou confiante de que Paola trará novas perspectivas e energias para a ConectarAGRO. Este é um momento importante para a conectividade rural com o lançamento do ICR e estou ansiosa para ver os avanços sob sua liderança.”

A oficialização da nova gestão ocorreu em um almoço da Diretoria durante a Agrishow 2024, ocasião em que discutiram também os próximos passos da entidade a partir do lançamento do Indicador de Conectividade Rural (ICR).

ConectarAGRO lança Indicador de Conectividade Rural e ganha destaque na Agrishow 2024 com ação interativa

A ConectarAGRO lançou recentemente o Indicador de Conectividade Rural (ICR), projeto desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) que ajuda a identificar as regiões do país que mais precisam de investimentos em conectividade,

Desenvolvido pelo Comitê Técnico e apoiado pela Diretoria da Associação, o ICR oferece uma visão abrangente da infraestrutura e serviços de telecomunicações disponíveis em cada município do Brasil. Utilizando metodologias científicas baseadas na técnica de Processos Hierárquicos Analíticos (AHP), o Indicador engloba diferentes critérios que compõem a demanda por conectividade rural, incluindo aspectos de produção, indicadores sociais, ambientais e de infraestrutura.

Um diferencial do ICR é se concentrar exclusivamente na mensuração da conectividade das áreas rurais, fornecendo uma avaliação precisa e detalhada das necessidades de cada região, baseado em dados públicos disponibilizados mais recentemente.

A estrutura do Indicador é composta por critérios e subcritérios cuidadosamente ponderados, conforme ilustrado na Figura 1. Essa estrutura detalhada e a atribuição de pesos a cada elemento garantem uma avaliação abrangente e precisa da conectividade rural, proporcionando insights valiosos para a formulação de políticas e a alocação de recursos.

Interface gráfica do usuário, Texto, Aplicativo, Email Descrição gerada automaticamente

 

Para se ter ideia, a média do ICR por município ao nível nacional é apenas de 0,45, numa escala variável que vai de 0 a 1. Quanto mais perto de 1, melhor a conectividade naquele município. Hoje, somente 37% dos imóveis rurais brasileiros têm cobertura 4G em toda área de uso agropecuário. Além disso, apenas 19% da área disponível para uso agrícola no Brasil tem cobertura 4G, com maior concentração nas regiões sul e sudeste do Brasil.

“Estamos entusiasmados em lançar o Indicador de Conectividade Rural (ICR) como uma ferramenta fundamental para impulsionar o desenvolvimento no campo brasileiro e pode desempenhar um papel fundamental na orientação de políticas públicas e investimentos privados”, diz Paola Campiello, presidente da ConectarAGRO. “Com o ICR, esperamos não apenas mensurar, mas também catalisar melhorias significativas na conectividade rural, capacitando agricultores e comunidades para prosperarem na era digital.”

Grupo de pessoas em pé posando para foto Descrição gerada automaticamente

Para conferir o nível de conectividade de cada município brasileiro, basta acessar o mapa interativo do ICR no site por este link. Além disso, é possível realizar o download gratuito do e-book com detalhes técnicos do estudo, oferecendo à imprensa, tomadores de decisões e demais interessados uma visão mais profunda dos dados e estratégias para impulsionar a conectividade rural.

Totens interativos do ICR elevam experiência na Agrishow 2024

Além de conferir as mais novas tecnologias do agronegócio, quem visitou os estandes de nossas associadas na Agrishow 2024 também participou de uma abordagem interativa e informativa sobre o nível de conectividade rural de Norte a Sul do Brasil.

No totem disponível, as pessoas puderam acessar o mapa do Brasil de forma intuitiva e visual, com o nível de conectividade de cada estado e município destacado. Essa experiência permitiu aos visitantes entender como o ICR pode ser utilizado para fomentar a internet rural no país.

Mais do que apresentar dados, a iniciativa buscou conscientizar os visitantes sobre a importância da conectividade para a produtividade e na inovação dentro do setor agrícola, além de proporcionar uma visão mais ampla do que é a ConectarAGRO e seu papel nesse contexto.

ConectarAGRO marca presença na Agrishow 2023 — confira as ações da Associação no evento!

Buscando reforçar o propósito de viabilizar a conectividade nas áreas rurais, a Associação ConectarAGRO está na Agrishow 2023, maior feira de tecnologia agrícola do Brasil. O evento acontecerá de 01 a 05 de maio de 2023, em Ribeirão Preto, São Paulo. 

Entre as novidades, a ConectarAGRO anunciará a entrada de novas associadas, demonstrando seu compromisso com a promoção do crescimento econômico e desenvolvimento humano sustentável do campo por meio da digitalização. Outra divulgação importante será a assinatura do Convênio entre a Associação e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) pela proposição de estudo sobre o Indicador de Conectividade Rural (ICR). 

 Além das soluções de suas associadas, a ConectarAGRO apresentará uma nova versão do Simulador de Benefícios, aplicação que busca demonstrar os potenciais ganhos para o agricultor ao ter a conectividade e o uso das tecnologias conectadas em sua propriedade e na sua gestão agronômica.  

Para enriquecer a experiência dos visitantes, a agenda da Associação contará com a Hora da Conectividade, ciclo de palestras sobre temas pertinentes à agricultura digital. Ministradas por especialistas integrantes da Associação, assunto como impacto da conectividade em pequenas propriedades rurais, transformação digital no agro e telemetria serão apresentados pelos painelistas.  

 “Estamos muito animados para participar da Agrishow 2023 e apresentar nossas novidades às nossas associadas, apoiadoras, parceiras e aos agricultores. Convidamos a todos para visitarem nosso estande e conhecerem de perto o trabalho que estamos realizando em prol da revolução digital do agronegócio”, diz Ana Helena de Andrade, presidente da ConectarAGRO. 

Não perca a oportunidade de visitar o estande da Associação ConectarAGRO na Agrishow 2023 a partir de hoje e conhecer as soluções inovadoras que são desenvolvidas para o setor agrícola brasileiro.

Para saber mais sobre os horários da agenda completa, clique aqui.

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ConectarAGRO, Secretaria de Agricultura de SP e Semantix discutem Indicador de Conectividade Rural

Em um encontro estratégico para o desenvolvimento de parcerias no campo da conectividade rural, a ConectarAGRO, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Semantix, primeira deep tech da América Latina listada na Nasdaq, a maior bolsa tecnológica do mundo, reuniram-se para discutir os resultados do Indicador de Conectividade Rural (ICR). 

Desenvolvido pela ConectarAGRO em convênio com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o ICR oferece uma visão abrangente da infraestrutura e serviços de telecomunicações disponíveis em cada município do Brasil. Ele será lançado em abril deste ano e tem como objetivo identificar as regiões que necessitam de investimentos em conectividade, impulsionando o desenvolvimento socioeconômico dessas áreas.  

Durante o encontro, abordou-se a importância do ICR para mapear pontos de melhoria e oportunidades de expansão da conectividade no setor agrícola. Ambas as partes expressaram seu compromisso conjunto em fomentar o uso da tecnologia em áreas rurais produtivas, visando à modernização e competitividade do agronegócio brasileiro. 

Vale ressaltar que essa não foi a primeira interação entre as entidades: em outubro de 2023, ocorreu um encontro prévio no qual a presidente da ConectarAGRO, Ana Helena de Andrade, apresentou o propósito da Associação ao secretário da pasta, Guilherme Piai, e discutiu o Programa Rotas Rurais, fortalecendo os laços de colaboração e inovação no setor. 

ConectarAGRO é apoiadora institucional da Pesquisa SAE BRASIL sobre panorama do setor agrícola brasileiro

A compreensão dos estímulos que impulsionam os produtores rurais brasileiros a adotarem novas tecnologias é crucial para o avanço do agronegócio. Por isso, a ConectarAGRO e suas empresas associadas participaram ativamente no apoio institucional à “Pesquisa SAE BRASIL: Caminhos da Tecnologia no Agronegócio”, realizada pela SAE Brasil em parceria com a KPMG Brasil.

A iniciativa teve como objetivo compreender os desafios e oportunidades referentes à adoção e utilização de tecnologias conectadas em máquinas, sistemas de agricultura de precisão e telemática. O estudo incluiu também produtores rurais, cooperativas, indústrias, prestadores de serviços, instituições de ensino e pesquisa e governo. 

De acordo com a pesquisa, algumas tendências relevantes podem ser traçadas. Cerca de 44% dos respondentes reconhecem que a adoção de novas tecnologias traz melhor performance, ganhos de produtividade e redução de custos.

Entretanto, uma preocupação é quase consenso entre os participantes: 40% apontaram a dificuldade de acesso à conectividade, na qual 27% estão conectados, mas com o sinal ruim. Outras dificuldades incluem a falta de conhecimento sobre alternativas de internet rural e capacitação sobre ferramentas digitais.

De acordo com Ana Helena de Andrade, presidente da ConectarAGRO, a pesquisa indica alguns desafios que devem ser endereçados pelos principais atores do agro, para que produtores rurais possam aproveitar os benefícios da conectividade no campo.

“A falta de conhecimento em tecnologias agrícolas destaca a necessidade de capacitação. É necessário promover conectividade para impulsionar sustentabilidade, superar desafios, empoderar produtores e aumentar eficiência, contribuindo para resolver questões globais como a fome. O aumento de produtividade resulta da automação, maquinário avançado e sistemas de informação, otimizando processos e melhorando qualidade dos produtos”, explicou Ana Helena, em depoimento publicado.

Pesquisa SAE BRASIL é tema da Hora da Conectividade

Na esteira de lançamento, a ConectarAGRO convidou Daniel Zacker, mentor AGRO da SAE Brasil e diretor da Tekter, para a Hora da Conectividade.

Durante o evento on-line — que reuniu associadas, apoiadoras e parceiras —, discutiram-se os principais dados do estudo e de que forma a Associação pode apoiar os esforços para superar os desafios identificados. A necessidade de promover a conscientização sobre as tecnologias disponíveis, bem como oferecer programas de capacitação e treinamento, foi ressaltada como uma prioridade.

Como resultado dessa iniciativa, a ConectarAGRO e suas empresas associadas estão comprometidas em desenvolver ações concretas para promover a inclusão digital no campo, oferecendo treinamentos, workshops e acesso a tecnologias de conectividade, com o objetivo de impulsionar a produtividade, a sustentabilidade e a competitividade do agronegócio brasileiro.

Quer conferir a pesquisa completa, que também contou com análises especializadas de AGCO Corporation e a CNH Industrial? Clique aqui e confira!

ConectarAGRO discute vantagens e desafios do uso do 5G na indústria agrícola

A ConectarAGRO reuniu, no dia 28/03, representantes de associadas e apoiadoras para debaterem sobre as oportunidades e desafios no uso potencial do 5G na indústria agrícola. A discussão foi norteada por Igor Assumpção, especialista em Tecnologia no Senai-SP, tornando-se programação da Hora da Conectividade, ciclo de palestras sobre temas pertinentes à conectividade no campo.

Ao longo da apresentação, o convidado indicou a importância do aceleramento do ecossistema brasileiro de inovação em conectividade por meio de demonstrações reais, para melhorar o posicionamento do Brasil no mercado global. Nesse sentido, o agro não deve se limitar a uma única tecnologia, mas a soluções heterogêneas que sanem os problemas dos produtores rurais.

Neste caso, Assumpção destacou a combinação entre a rede 5G e o 4G em 700MHz para atender as necessidades do campo, como conexão de frota mista e de smartphones, tablets e modems. “O 4G em 700MHz é importante, pois o desafio do agro não é somente sensorizar os processos, mas obter uma cobertura ampla dos hectares.  

Uma vez digitalizadas, as fazendas passam a ter diversas oportunidades de aplicações tecnológicas. Entre elas, está o uso de NB-IoT na agricultura de precisão. “São sistemas e dispositivos pendurados no 4G em 700MHz, nos quais podemos instalar e escalar para a combinação com sensores e leitores de solo”, explicou. 

O padrão habilita diversos equipamentos que fazem parte do cotidiano agrícola. “O NB-IoT cobriria os usos necessários de drones, tratores, caminhões e até mesmo câmeras para prevenção de incêndios”, pontuou o especialista. 

A realidade aumentada e o metaverso também são grandes aliadas do agricultor conectado, de acordo com Assumpção. Com o uso de softwares, os operadores de tratores podem realizar treinamentos e testes com maior segurança, sem qualquer dano ou prejuízo. “Os simuladores são utilizados no treinamento das pessoas envolvidas nos processos produtivos. Assim, é possível seguir no desenvolvimento de projetos, capacitação e identificação de eventuais falhas”, continuou.

No eixo de veículos, a automação é outra tendência promissora. “Os veículos conseguem transitar em diferentes ambientes de forma autônoma e segura, podendo ser utilizados com alta precisão nas diversas fases da plantação. Também é uma ferramenta de auxílio nas tomadas de decisões”, pontuou Assumpção.

Por tal lógica, a conectividade deve permear todo o ecossistema presente em uma propriedade rural, conforme analisou o especialista. “A digitalização deve estar presente em todas as fases da cadeia de valor, incluindo diferentes ecossistemas de conectividade”, finalizou.

Hora da Conectividade destaca importância da agricultura digital no preparo do solo e semeadura

Agricultura digital e planejamento como ferramenta de gestão foi o tema de discussão na Hora da Conectividade, ciclo de palestras realizado pela ConectarAGRO no dia 07 de março. Em formato on-line, o evento teve a presença de Leonardo Menegatti, CEO da InCeres, e Nelson Pozzi, diretor de processos da mesma organização. 

Os palestrantes convidados deram destaque à conectividade como ferramenta de empoderamento e de distribuição equitativa de tecnologias nas áreas agrícolas do Brasil. Nesse sentido, a internet rural torna-se uma grande aliada nas tomadas de decisões mais informadas dos agricultores, sobretudo no ciclo de produção.

“A jornada do agricultor é muito longa. Passa por planejamento, dois plantios de safra, duas colheitas, inúmeras operações de tratamento. Ele toma muitas decisões e, por isso, acaba se perdendo nos detalhes.  A agricultura digital permite que o agricultor olhe o todo”, apontou Menegatti.

De acordo com Pozzi, um dos principais pontos de atenção é o solo onde as sementes são plantadas. Isso porque o Brasil possui regiões limitadas e desgastadas do ponto de vista químico e fértil. “Os solos entre os trópicos possuem argila de baixa capacidade, muito alumínio e menor conteúdo de cálcio e magnésio, elementos importantes para o crescimento da planta. Exige-se uma gestão eficiente de fertilidade da terra e nutrição das plantas para produzir com competitividade”, explicou. 

Baseadas em dados e informações consolidadas, as ações de nutrição garantem o crescimento do sistema radicular da planta, o que permite mais acesso à água e maior resistência a doenças.  Nesse sentido, softwares de leitura são utilizados para uma compreensão dos fatores limitantes, determinantes e redutores da produtividade.  

Segundo Menegatti, esse investimento traz grandes retornos à plantação. O exemplo prático está na aplicação de cálcio: “A cada unidade de cálcio aumentada, há uma tendência de aumento em 4,2 sacas de soja por hectare”, explica. O mesmo acontece com o uso de matéria orgânica para fixar o carbono: “A cada 1% de matéria utilizada, há um aumento de 3,9 sacas de soja por hectares”, completa. 

Considerando o alto custo desse processo, os especialistas indicam a importância da agricultura digital para operações localizadas de acordo com a necessidade, prioridade e tecnologia adequada à cada talhão. “Cada estágio do solo demanda técnicas e nutrientes distintos, e a conectividade torna a tecnologia mais popular e acessível para otimizar esses processos”, pontua Pozzi.

Menegatti concorda sobre a relevância dos dados: “Com eles, é possível entender o que fazer, quando fazer, onde fazer, como fazer e por que fazer, aumentando a produtividade e evitando o desperdício com assertividade”, finaliza.

Políticas públicas possuem um papel preponderante na conectividade da agricultura familiar

A falta de conectividade no campo ainda é um desafio enfrentado por pequenos e médios produtores, os quais precisam de políticas públicas para obterem acesso à internet e tornarem-se competitivos dentro do mercado agrícola.

Essa foi o principal tema do painel “O acesso à tecnologia na agricultura familiar”, mesa redonda da AgroTIC 2023 que contou com a participação de Ana Helena de Andrade, presidente da ConectarAGRO. Aproximando as perspectivas do mercado e da academia, participaram da discussão Aldo Clementi, diretor de Desenvolvimento de Negócios na IHS Towers, e Vânia Cirino, diretora de Pesquisa e Inovação do IDR Paraná.

Ao discorrer sobre a importância do agro 4.0 para o sucesso das safras, Ana Helena considera que o acesso à internet rural é fundamental, visto que os dados consolidados e processados norteiam a produção. Com o gerenciamento remoto, máquinas e sensores geram um ciclo virtuoso de produtividade no campo.

Apesar das evidências demonstrarem os benefícios diretos da digitalização, ainda há um grande desafio para conectar as áreas agrícolas, considerando também as estradas e demais infraestruturas que fazem o escoamento dos alimentos. Como exemplo, a presidente da ConectarAGRO citou o estudo realizado pela Associação em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, em que foram entrevistados 100 produtores rurais.

“Concluímos que 85% dos produtores possuem conectividade na sede e nos lugares onde moram. Aí começa a dificuldade, pois a sede não é o local em que irão executar as atividades agrícolas. Ainda assim, mesmo considerando a própria casa do agricultor, o uso ainda é novo e limitado”, pontua. 

Por conta da barreira tecnológica, o agricultor não consegue ter uma produção tão competitiva e aperfeiçoada quanto os grandes produtores, diminuindo assim a sustentabilidade econômica do negócio. Para mudar essa realidade, Ana Helena destaca a importância de políticas públicas que sejam inclusivas e garantam a subsistência da propriedade agrícola e dos trabalhadores rurais

“As ações  junto ao Poder Público são de grande relevância, pois agricultura mais produtiva significa ter maior renda e melhor IDH para a população. Buscamos mobilizar as instancias federais, municipais e estaduais, pois juntas conseguem direcionar os melhores benefícios para a população”, elucida. 

No eixo das políticas privadas, a ConectarAGRO vem trabalhando no levantamento de dados e fatos como subsídios para tomadas de decisões junto a atores estratégicos. Entre as atividades em andamento, destaca-se a programação, junto à AgroPlus-UFV, de um aplicativo de gestão financeira direcionados às fazendas da Zona da Mata mineira.  

Já o Formação Conectada, colaboração com a  Fundação André e Lucia Maggi (FALM) e o Senar-MT aplicada em Campo Novo dos Parecis-MT, é um projeto educacional que visa fomentar uma melhor infraestrutura nas escolas rurais e capacitar os professores acerca das competências digitais. Outro eixo da iniciativa se refere ao aperfeiçoamento profissionalde trabalhadores e operadores rurais da região.

Organizações públicas e privadas apresentam iniciativas a favor da conectividade no campo

Para Vânia Cirino, a transferência de tecnologias, produtos e processos também são alinhadas a aplicativos que aproximam produtores de distribuidores e consumidores. Como exemplo, ela cita o Vendo Meu Peixe, desenvolvido por extensionistas do IDR-Paraná, que apresenta um mural de ofertas: “Com ele, colocamos o psicultor em contato com as empresas que comercializam e abatem peixes, categorizando-as por tamanho dos peixes e localização”, explica a pesquisadora.  

No caso da IHS Towers — empresa apoiadora da ConectarAGRO —, Aldo Clementi indica que a organização busca implementar soluções de baixo custo para baratear cada vez mais as infraestruturas de telecomunicações. O objetivo é que o pequeno proprietário tenha uma cobertura de conectividade, para que experiencie também a transformação tecnológica que habilita a produtividade no campo. “Estamos trabalhando no conceito de Distrito Agro Tecnológico que vai operar com um agente da área a ser coberta para implementar soluções de conectividade de baixo custo”, aponta.

Como exemplo dos esforços operacionais empreendidos pela organização, Aldo cita o piloto no interior de São Paulo com o Projeto Semear, em parceria com a Embrapa e CPQD. Segundo o diretor, o foco da cooperação está na transformação digital do pequeno agricultor. “Quanto maior a quantidade de produtores participantes, menor será a taxa a pagar pela adesão. Neste projeto, podemos atender de 800 a 5 mil pessoas”, explica. 

Formação Conectada avança e amplia educação tecnológica em escola estadual do Mato Grosso

O Formação Conectada, projeto educacional da ConectarAGRO, iniciou a capacitação tecnológica de educadores na Escola Estadual Argeu Augusto de Moraes, sob a Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso (Seduc), localizada em Vila Itanorte, em Campo Novo dos Parecis-MT. Com a parceria da Fundação André e Lucia Maggi (FALM) e participação da MegaEdu e  Sincronizaa iniciativa visa promover o desenvolvimento social humano por meio de soluções tecnológicas.

A presente etapa do projeto contemplou uma carga horária de 12 horas em quatro módulos distintos, os quais abordaram temas como competências digitais, papéis entre aluno e professor nas práticas pedagógicas, bem como uso de recursos de apoio. Por meio de encontros síncronos, materiais autoinstrucionais e webinários, os educadores refletiram sobre melhorias de metodologias, ferramentas digitais e indicadores pedagógicos.

Focados na escuta ativa e na construção participativa entre os agentes envolvidos, os resultados práticos permitiram demonstrar a importância da conectividade no ensino-aprendizagem dos alunos. Durante o percurso, os professores passaram a utilizar aplicativos para fixação de conteúdos e pesquisa de temas em sala de aula.  

De forma simultânea, a equipe do Formação Conectada também atua na identificação de pontos-chave que garantam a infraestrutura de distribuição de WiFi de alta qualidade para que as atividades digitais de professores e alunos sejam realizadas com sucesso. 

“Acreditamos que a tecnologia seja uma ferramenta poderosa para promover o desenvolvimento social humano, e o Formação Conectada é um passo importante para alcançar esse objetivo. Continuaremos trabalhando em parceria com organizações, instituições de ensino e governos para contribuir para a formação de uma geração mais preparada para os desafios do futuro conectado”, diz  Erika Michalick, líder do Comitê Educacional na ConectarAGRO..