Por que utilizar a Agricultura Digital na sua propriedade?

A agricultura nunca esteve em patamares de produção como está nos dias de hoje. Temos as melhores produtividades e rendimentos da história. Fato é que saímos de aproximadamente 2,6 toneladas produzidas por hectare em 1961 para 6,6 toneladas por hectare em 2019, segundo a FAO. Um grande feito para o país. Mas você sabia que a agricultura digital está ajudando muito nisso tudo?

Tamanha diferença e evolução é dada por diversas tecnologias e métodos empregados na agricultura que favoreceram que agricultores consigam produzir mais e melhor, sem precisar elevar o tamanho da área. 

Para continuar aumentando a produção de alimentos e buscando suprir a demanda futura de alimentos, — que deve aumentar 70% até 2050 — precisamos contar com o suporte da tecnologia e, é aí que voltamos ao conceito de Agricultura Digital.

Agricultura Digital
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2020.

Dentre as tantas vantagens que a agricultura digital pode oferecer, provavelmente, uma das principais, é a conectividade e o acesso à informação em tempo real. Quer saber mais o que é agricultura digital, quais os benefícios e como participar desta transformação digital da agricultura? 

O que é agricultura digital?

A agricultura digital representa uma grande revolução na produção agrícola. É através de tecnologias, sobretudo, as digitais, que a agricultura alcançará novos patamares de produtividade.

A Embrapa apresenta em seu canal no YouTube um vídeo — que pode ser visto abaixo — explicando rapidamente sobre o que a agricultura digital e suas vantagens frente aos desafios que a humanidade enfrentará nos próximos anos, principalmente em relação à disponibilidade de comida de qualidade, segura e abundante para todos.

Temos que a definição de agricultura digital é bem ampla e pode considerar diversas tecnologias e soluções dentro de um mesmo conceito.

O conceito de agricultura digital pode ser entendido como sendo o emprego das mais avançadas tecnologias — como aprendizado de máquina (machine learning, em inglês), inteligência artificial e mineração de dados — para tomar decisões e gerenciar as propriedades e produções agrícolas de forma mais sustentável ambiental, econômica e socialmente.

Diante disso, muitos são os objetivos de agricultores quanto à utilização da agricultura digital, como melhor veremos a seguir.

Qual é o objetivo da Agricultura Digital?

Não se trata apenas de aplicar novas tecnologias e soluções no campo, a agricultura digital é, segundo especialistas, o próximo patamar de crescimento do agronegócio.

Quando falamos nisso, estamos nos referindo ao futuro da produção agrícola. Diversos setores da economia mundial estão passando por diversas transformações, principalmente digitais, pela sua importância, o agronegócio não ficou para trás.

A agricultura digital vem com o objetivo de transformar a produção agrícola, quer seja de grãos, proteína animal, leite, hortifruti ou outros, onde o agricultor tem total conhecimento do status da sua produção e ferramentas que simplificam — e, por muitas vezes, automatizam — diversas atividades do campo, tornando a produção mais sustentável.

Isto significa que teremos, além das tecnologias já utilizadas e amplamente validadas no campo, novas soluções que serão integradas a elas, que tornarão a produção agrícola cada vez mais tecnológica e ao mesmo tempo mais precisa e produtiva.

Agricultura digital, agricultura 4.0 e agricultura de precisão: Qual a diferença?

Embora sejam conceitos diferentes, agricultura digital, agro 4.0 e agricultura de precisão se complementam de alguma forma, e podem ser até entendidos como semelhantes em alguns contextos.

Como você viu, a agricultura digital representa o uso intensivo de tecnologias digitais ligadas ao agronegócio.

A Agricultura 4.0 (ou só agro 4.0), por sua vez, refere-se ao momento evolutivo do agronegócio. Assim como na indústria temos o termo indústria 4.0, destacando o momento tecnológico em que a indústria está inserida, a produção agrícola também tem essa condição.

O Agro 4.0 representa a quarta revolução agrícola, que começa a aparecer logo após o início da automação de processos no agronegócio (agricultura 3.0, entre 1990 e 2010), representando o boom da nova era digital.

Já a agricultura de precisão (AP) é um conjunto de tecnologias que buscam obter informações precisas (por vezes georreferenciadas), metro a metro, das áreas produtivas, otimizando o uso de recursos e também aumentando as produtividades.

Fonte: Embrapa, 2017.

Como você pode perceber, os conceitos individualmente são diferentes entre si, mas ao fim, acabam se complementando, com as tecnologias passando por diversas fases sendo direcionadas para um objetivo maior, que é a de aumentar a produtividade e tornar a agricultura mais produtiva, eficiente e sustentável.

Vantagens e desvantagens da Agricultura Digital

É de se imaginar que as tecnologias que viabilizam a revolução digital na agricultura trazem diversas vantagens. Vejamos algumas das mais importantes:

  • Controle da propriedade: As soluções digitais habilitam o agricultor a ter uma gestão completa da sua propriedade, ou seja, dão condições e informações mais do que suficientes para saber o que está acontecendo na propriedade;
  • Redução de custos: Além de permitir a economia de insumos, os custos com mão de obra naturalmente acabam sendo menores, uma vez que diversas funções (por vezes repetitivas e exaustivas) acabam por sendo executadas por softwares e máquinas, praticamente sem falhas;
  • Integração com demais integrantes da cadeia: Facilmente o produtor pode ter conexão direta com fornecedores, compradores e suporte técnico, uma vez que a digitalização da agricultura encurta distâncias e aumenta o tempo de resposta.

E não acaba por aí. Monitoramento de pragas e doenças, monitoramento da meteorologia, análises de solo e de produtividade e tantos outros benefícios e soluções estão embarcadas nas inovações associadas à agricultura digital, na revolução 4.0 do agronegócio.

Quanto às desvantagens, está a dificuldade em acessar essas soluções, que tardam a chegar nas propriedades menores e mais isoladas dos centros urbanos, além disso alguns agricultores podem apresentar resistência à novas soluções, sobretudo digitais. 

Mas uma vez que essas barreiras se quebrarem, a agricultura digital é um caminho sem volta! Produzir com cada vez mais eficiência e sustentabilidade é, sem dúvidas, o futuro da agricultura.

Qual o papel da agricultura digital na produção agrícola?

Aqui no blog da ConectarAgro já falamos sobre como a agricultura digital está mudando o mundo. Além disso, o conteúdo apresenta os principais incentivos direcionados para o desenvolvimento da agricultura digital no Brasil.

A agricultura digital tem papel fundamental na produção agrícola. Não é novidade para diversos segmentos da economia que a digitalização de atividades e o uso de soluções digitais melhoram e muito — o desempenho desses setores.

Para a agricultura atender a demanda crescente por alimentos, é mandatório que se insira soluções digitais, com maior conectividade e automatização.

Este papel que a agricultura digital vem desempenhando — e continuará desempenhando — de tornar cada vez mais sustentável e economicamente viável a produção agrícola é vital para que possamos assegurar alimentos saudáveis para todos.

Que ferramentas adotar na agricultura digital?

Diversas são as opções de ferramentas que levam à agricultura digital. A primeira e provavelmente essencial para as principais soluções digitais é a internet. Cabe à internet oferecer a conexão entre homem-máquina, além de permitir que diversas soluções de gestão e tomada de decisão possam ser viabilizadas.

Aplicativos, softwares de gestão, GPS, equipamentos de monitoramento e soluções de dados e inteligência artificial são passos que seguem trilhando o caminho da agricultura digital e que se tornam essenciais conforme o progresso da produção agrícola.

Como adotar essa tecnologia?

A agricultura sempre terá seu lado ‘pé na terra’, isto não dá para negar. Será preciso sempre pôr a mão na massa em algum processo produtivo. O que não podemos esquecer é de tornar cada etapa cada vez mais sustentável e produtiva reduzindo desperdícios e desgaste.

Aplicar as soluções digitais no campo e para o campo começam com pequenos passos, que podem ser utilizados desde propriedades pequenas até grandes indústrias. Softwares e aplicativos de gestão, que formam bancos de dados são importantíssimos para que outras soluções sejam agregadas no futuro.

O canal da Field View TV traz um vídeo bem bacana que apresenta informações sobre a agricultura digital aplicado sobretudo às pequenas propriedades. O vídeo, na íntegra, pode ser acessado aqui.

Além do mais, ter internet rural é fundamental para que o agricultor possa avançar livremente pela revolução digital no campo.

Você já está fazendo parte da transformação digital no campo? Conta para nós quais tecnologias da agricultura digital você está utilizando na sua propriedade!

Agricultura digital x agricultura de precisão: Qual é a diferença?

 

Conhecido por muitos como celeiro mundial, o Brasil figura entre os países que têm a maior produção agrícola do mundo. Assim, além das dimensões continentais e do clima favorável, é  preciso que o setor consiga inovar e se desenvolver de forma sustentável, com a agricultura digital e a agricultura de precisão sendo fundamentais nesse sentido.

 

Diante disso, práticas e métodos de produção são desenvolvidos ao longo dos anos para assegurar melhores desempenhos sem a necessidade de aumentar as áreas de exploração agrícola, ou seja, aumentou-se a produtividade!

Mas, o desafio não para por aí. Estima-se que a população deva aumentar em mais 2 bilhões de pessoas até 2050, atingindo mais de 7,5 bilhões de pessoas em todo o mundo, exigindo um aumento de mais de 70% na produção de alimentos.

No processo de crescimento do agronegócio brasileiro, bem como para os desafios vindouros, precisamos contar com as soluções de agricultura digital e também da agricultura de precisão.

Presentes em todas as regiões do Brasil e nas mais variadas propriedades rurais, a agricultura digital (AD) e a agricultura de precisão (AP) vêm sendo adotadas em maior frequência pelos agricultores, tornando-se essenciais para alcançar maior produtividade e um desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro.

Embora muitas vezes utilizadas no mesmo contexto e, por diversas vezes, andem juntas, a AD e AP não são efetivamente a mesma coisa. E é preciso conhecer o papel de cada uma delas na agricultura.

Para entender o que é a agricultura digital e a agricultura de precisão, bem como a diferença entre elas, elaboramos este material para você. Confira!

O que é agricultura de precisão?

A agricultura de precisão apresenta várias definições, mas de forma geral ela pode ser definida como o conjunto de princípios e tecnologias voltados ao melhor entendimento do manejo da variabilidade espacial e também temporal, sempre objetivando o aumento da produtividade de todas culturas, assim como da sustentabilidade ambiental.

Introduzida no Brasil há mais de duas décadas — sobretudo com a popularização de sistemas GPS — a AP ainda apresenta grande potencial de desenvolvimento.

As ferramentas de automação passaram a ‘customizar’ a produção em cada parte da área agricultável da propriedade. As particularidades de cada ponto da lavoura passaram a ser consideradas, o que leva à aplicação por taxa variável, ou seja, cada parte do talhão recebe o insumo ideal.

Vale ressaltar que a agricultura de precisão está fortemente ligada à aplicação de adubos e calcário de acordo com a variabilidade dos solos nas áreas de cultivo, mas também vem sendo associada às pulverizações de defensivos por locais de interesse (como pontos com infestação de daninhas).

No ano de 2017, a Embrapa desenvolveu diversos estudos sobre a agricultura de precisão, e um deles, que avalia o uso de drones de imageamento para avaliação nutricional das culturas agrícolas, pode ser acompanhado no vídeo abaixo.

 

O que foi possível perceber é que a agricultura de precisão por si só era incompleta e, com os avanços dos sensores e o grande número de dados sendo obtidos, precisava-se de algo a mais: a digitalização da agricultura!

O que é Agricultura Digital?

Hoje em dia,  inovar é fundamental para o desenvolvimento econômico sustentável. Assim, possuir a capacidade de se manter atualizado é decisório para a manutenção e obtenção da competitividade no mercado, sobretudo, global. 

Para a agricultura, isso é particularmente verdade, onde novas soluções tecnologias estão proporcionando aumento significativo na produtividade.

O termo ‘Agricultura Digital’, que também pode ser conhecido por ‘Agricultura 4.0’ ou ‘Agro 4.0’, refere-se  ao uso intensivo das mais diversas técnicas de informática e computação para obtenção de dados e tomada de decisão.

Esta revolução digital prospecta um passo maior, pela integração e comunicação  em tempo real — entre equipamentos, sensores e demais ferramentas utilizadas para gestão e atividades do campo.

Agricultura Digital

Fonte: Revista Cultivar, 2021.

Sendo assim, a agricultura digital promove a agricultura inteligente, também conhecida pelo termo smart farm, que, embora recente, já contempla diversas soluções e aplicabilidades. Vejamos algumas:

Aplicativos e softwares

Diversas soluções já foram desenvolvidas nesta vertente da agricultura digital. É por meio de aplicativos — os famosos apps — e softwares que o agricultor pode acessar e manipular informações relevantes para gestão e tomada de decisão nas lavouras.

É possível encontrar ferramentas para as mais variadas necessidades, que vão desde um portal para acompanhar notícias e, até soluções robustas e complexas para conectar e fazer a gestão de propriedades inteiras pela palma da mão.

Já está se tornando comum encontrar produtores que usam soluções de agricultura digital para acompanhar a meteorologia e alguns manuais digitais que auxiliam na identificação de pragas e doenças.

Outros avanços nessa vertente e que vem ganhando espaço, são as ferramentas de gestão de propriedades, que permitem ao agricultor maior segurança nas suas decisões.

Obtenção e análise de dados

Muitas vezes integrado às soluções de apps e softwares, o universo da Big Data — grande base de dados — está elevando a agricultura digital a outro patamar tecnológico. 

A proposta aqui é que as mais variadas informações coletadas no campo (como chuva, vento, umidade do solo, época de plantio e colheita, aplicações, etc.) sejam coletadas, armazenadas e interpretadas para auxiliar na tomada de decisão, isso torna a agricultura bem mais precisa.

Internet das coisas

Este passo pode ser considerado o próximo avanço, mas já está presente para algumas realidades no agronegócio brasileiro.

A Internet das coisas — ou Internet of things (IoT) em inglês — é a interconexão digital entre objetos do dia a dia através da internet.

Basicamente, seria o seu trator conectado com a estação meteorológica, que também é conectada com o banco de dados de imagem de satélite, que por sua vez, são acessíveis por qualquer dispositivo com acesso a internet.

Este avanço permitirá uma integração direta entre o mundo físico e os sistemas baseados em computador, dando autonomia total para quem gerencia a propriedade.

Além disso, um estudo realizado pela parceria multidisciplinar entre Embrapa, SEBRAE e INPE, avaliando as tendências, desafios e oportunidades da agricultura digital no Brasil, obteve que 84,1% dos agricultores participantes da pesquisa utilizam ao menos uma tecnologia digital em seu processo produtivo, ao passo que os outros 15,9% alegaram não utilizar nenhuma.

Existem diversas iniciativas que buscam levar a digitalização para todos na agricultura. Neste texto aqui falamos sobre os incentivos e ajustes necessários para democratizar a agricultura digital.

Desafios e oportunidades da agricultura digital e da agricultura de precisão

A intensificação no desenvolvimento e adoção de agricultura digital e agricultura de precisão está se dando pela exigência do mercado por alimentos mais saudáveis, a necessidade de preservação dos recursos naturais, a redução da mão-de-obra no campo mas, sobretudo, pela tendência mundial de elevação dos custos de produção.

Embora seja um desafio, será através das contribuições dadas pela AD e AP que tornaremos a agricultura bem mais produtiva e sustentável. 

No estudo entre Embrapa, SEBRAE e INPE, por exemplo, a conectividade — representada pela internet — foi apontada como a principal tecnologia adotada pelos agricultores do grupo amostrado,  em que 70% alegaram utilizá-la para algum fim ligado à produção.

Entre eles, quase 60% utilizam das redes sociais para obter e compartilhar informações, o que vem democratizando o conhecimento na agricultura.

Por outro lado, os agricultores relataram ainda possuir dificuldades em acessar tecnologias digitais. Embora o custo de aquisição esteja em primeiro lugar (67,1%), os problemas ou a falta de conexão com a internet em áreas rurais aparece em segundo lugar (47,8%).

Isto representa um grande desafio para a adoção e implementação de soluções de agricultura digital no campo, bem como uma grande oportunidade para expansão e democratização da internet nas áreas rurais.

Você já usa ou pretende usar soluções de agricultura digital e de precisão na sua propriedade? Está preparado para as inovações que estão vindo para o campo? Compartilha com a gente sua opinião!

Como a Agricultura Digital está mudando o Agronegócio?

A projeção de novo recorde na colheita nacional de grãos na safra 2020/2021, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comprova o potencial empreendedor de produtores rurais, principalmente na aplicação de tecnologias presentes na Agricultura Digital. 

Em pouco mais de quatro anos de implantação efetiva no Brasil (já que o registro oficial é datado de 2016), a Agricultura Digital já conseguiu reunir e consolidar um conjunto de plataformas digitais que aprimoram cada vez mais os resultados produtivos da agricultura. 

Mas, você deve estar se perguntando qual é o papel empreendedor dos produtores nessa transformação? Simples, graças ao entendimento sobre a importância de produzir mais, com qualidade e sustentabilidade, mas sem ampliar a área plantada. 

Um levantamento realizado com mais de 750 participantes do meio rural, apontou que 84,1% dos produtores brasileiros utilizam pelo menos uma tecnologia digital no processo produtivo. Entre as mais populares estão os aplicativos como WhatsApp, gerenciadores produtivos e climáticos, drones e sensores.

O levantamento traçou um retrato da Agricultura Digital nacional e foi realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Agricultura Digital

 

Tecnologias preferidas ligadas à agricultura digital 

Ainda sobre o levantamento, observou-se que os recursos digitais mais citados pelos entrevistados foram: o uso de internet para atividades gerais da produção, aplicativos para obtenção ou divulgação de informações, gestão e sistemas de posicionamento global por satélite (GPS). Em termos práticos, os smartphones e tablets se tornaram equipamentos indispensáveis no cotidiano dos empresários rurais. 

Outra informação respondida pelos entrevistados estava relacionada às principais funções das tecnologias digitais no cotidiano de trabalho. Para 66,1% dos entrevistados, ela ajuda na obtenção de informações e planejamento das atividades, enquanto 43,3% apontaram a gestão da propriedade. 

E o auxílio na tomada de decisões não para por aí, 40,5% dos produtores informaram que usam as tecnologias para compra e venda de insumos e da produção. O mapeamento e planejamento do uso da terra, bem como a previsão de riscos climáticos é monitorada por 32,7% dos participantes. 

 

Incentivos para Agricultura Digital

Apesar do rápido desenvolvimento da agricultura digital no Brasil, existem alguns gargalos que dificultam a adesão de mais produtores. Como exemplo podemos pontuar a baixa oferta de mão de obra qualificada, cobertura insuficiente do sinal de internet e poucas linhas de crédito específicas para aquisição de tecnologia no campo. 

A fim de reduzir os entraves e estimular os produtores rurais a implementarem as tecnologias digitais na produção, foi criada em 2019, a Câmara do Agro 4.0. A iniciativa idealizada pelo governo federal, por intermédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem objetivo de impulsionar as práticas de agricultura digital e de precisão.

O papel da Câmara é intermediar as prioridades do setor rural, listando ações e iniciativas que ampliem as oportunidades de acesso às tecnologias, independente do tamanho da propriedade e adequadas à realidade do agronegócio nacional. 

Agricultura Digital

Para alcançar esse objetivo foi elaborado um Plano de Ação a ser desenvolvido entre 2021 e 2024 e reunirá esforços do poder público e privado, de forma a cumprirem os processos necessários para democratização da agricultura digital. 

Você, produtor rural, deve estar pensando, como esse plano pode ajudar a implantar as tecnologias digitais no meu negócio? A resposta é também simples. Será por meio de projetos de qualificação técnica e profissional que ensinam a equipe a identificar problemas e soluções para a lavoura, além de ensinar produtores a dominarem o manejo dos equipamentos tecnológicos disponíveis. 

No cenário nacional, uma iniciativa se antecipou com a proposta de estruturar uma Associação para promover tecnologias de ponta, focadas no desenvolvimento do campo. A ConectarAGRO reuniu grandes empresas como AGCO, Climate, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec, Tim e Trimble, com objetivo de disponibilizar a LTE 4G 700 MHz, uma tecnologia que oferece melhor desempenho de equipamentos digitais, na área rural.

A tecnologia da ConectarAGRO está alinhada com os objetivos da Agricultura Digital e possibilita o aumento da cobertura de internet nas áreas rurais ou remotas, por intermédio de infraestrutura composta por rádios e antenas. Dessa forma, as propriedades terão acesso a soluções tecnológicas como: drones, máquinas autônomas (controladas remotamente), inteligência artificial e internet das coisas.

Ajustes que devem ser priorizados para popularização da Agricultura Digital

As dificuldades no acesso à internet ainda preocupam todos os setores econômicos e com a agropecuária não é diferente. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa Estatística (IBGE) em 2019, revelou que os moradores da área rural encontram entraves na utilização da tecnologia.

Na visão geral, 86,7% dos domicílios brasileiros utilizam internet, sendo 82,7% na cidade, contra 55,6% no campo. Os moradores da área rural informaram que entre os motivos do baixo acesso, estão: 

  • 25,35% alto custo, 
  • 24% não tem interesse em utilizar, 
  • 21,4% nenhum familiar sabe usar, 
  • 19,2% não têm acesso a internet disponível na região, 
  • 6,65% não tem o equipamento eletrônico necessário, e 
  • 3,5% por outros motivos. 

Como parte da solução, em dezembro do ano passado, o governo federal sancionou a Lei nº 9.998, de 17 de agosto de 2000, que libera o uso dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), para serviços de banda larga e investimentos na internet rural. O projeto defende que a medida estimulará a conectividade no campo, impulsionando assim, a Agricultura Digital. 

A baixa oferta de mão de obra especializada é outro desafio enfrentado pelos produtores rurais, a fim de conseguirem implantar novos mecanismos tecnológicos. A falta de conhecimento vai desde trabalhadores que não sabem manusear os veículos aéreos não tripulados (Vant), até a leitura dos dados gerados pelos equipamentos. 

As principais iniciativas são desenvolvidas por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que por intermédio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) promove cursos de capacitação em Agropecuária Digital e vários equipamentos utilizados no processo produtivo. 

O incentivo à digitalização das propriedades rurais tem no Plano Agrícola e Pecuário (PAP), a maior oportunidade de acesso à linhas de créditos com taxas mais baixas do que as praticadas nas instituições bancárias privadas. 

Para se ter uma ideia, o Crédito Rural 2020/2021 destinou R$6,7 bilhões para o programa Moderfrota (compra de frota) e R$1,2 bilhões para o Moderagro (modernização e expansão da atividade rural). 

 

Quais os cenários para o futuro da agricultura digital?

Mesmo se popularizando rapidamente no campo, há ainda alguns entraves que o setor enfrentará no futuro próximo e que precisam ser superados.

Isso acontece porque alguns dos recursos mais atualizados do mercado ainda não estão disponíveis para a maioria dos produtores rurais, contudo, a velocidade das pesquisas e atualizações de componentes devem reduzir os preços e assim, alcançar mais cadeias produtivas. Elencamos aqui, os mais assertivos:

Drones/Vants – São equipamentos guiados remotamente com utilização na análise da plantação, detecção de pragas e doenças, falhas no plantio, excesso ou falta de irrigação, entre outras averiguações. Com auxílio de softwares instalados, realizam a captação e análise de imagens coletadas nos voos. 

Robótica – Na agricultura, a utilização de robôs está presente no monitoramento da lavoura, pulverização, irrigação, poda e aragem. O processo automatizado proporciona maior rendimento das atividades e facilita a execução de serviços repetitivos. 

Internet das Coisas (IoT) – essa tecnologia auxilia, principalmente na prevenção e resolução de problemas do manejo diário. Um exemplo positivo é a utilização de sensores conectados e distribuídos no interior de uma estufa. O equipamento registra informações sobre mudança de temperatura e como podem afetar a produção. 

Big Data – Trata-se de um grande sistema de banco de dados que, cada vez mais, tem sido implementado na agricultura, possibilitando um melhor e maior fluxo de informações. A tecnologia permite a análise de um grande número de informações, caso do cruzamento de dados de precipitação com o período de plantio, de forma a elencar a melhor época para semeadura. 

As possibilidades de utilização da Agricultura Digital atendem todas as cadeias produtivas do agronegócio nacional e podem contribuir para que os índices produtivos melhorem ainda mais. 

Outro ponto que deve ser analisado, é que as tecnologias utilizadas vêm demonstrando um grau de assertividade cada vez maior, em questões como proteção do solo, redução de pragas, recuperação de áreas degradadas e otimização de espaços produtivos.

 

Conclusão 

Trouxemos informações para esclarecer os produtores rurais que ainda têm preocupação sobre a implementação de tecnologias digitais. A utilização correta e conhecimento especializado proporcionará ganhos financeiros mais robustos, preservação do meio ambiente e diversidade de culturas e criações. 

Os serviços tecnológicos oferecidos por muitas empresas da área levam aos produtores rurais o que há de mais moderno em agricultura digital, condições para monitoramento efetivo da lavoura, por meio de softwares focados em áreas específicas do sistema de produção agrícola. 

E você, produtor rural, está preparado para a mudança que tomou conta das propriedades rurais brasileiras? Clique no link e saiba mais detalhes de como manter uma propriedade conectada.